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30/01/2007 18:40 Sambá, sambé, sambi e deixa que eu chuto!
Qual deles é do balacobaco?
Há dois séculos surgiu no Rio de Janeiro, no Bairro do Estácio - de onde eu humildemente venho e venho tão humilde que deveria escrever humilde sem "h" - um ritmo que, junto com um bocado de outros, com um monte de crioulo e pais e mães-de-santo estarreceu o mundo: o samba. Quando se escuta uma bateria não há quem não sambe. Pensando melhor, existe: gringo não samba. Ensaiam, bebem caipirinha, pegam mulatas, transam com prostitutas e são assaltados, tudo tipicamente brasileiro, mas o resultado é nenhum. Ninguém consegue sambar. Em outros estados a galera até tentou, na Bahia o pessoal apareceu com uma dança esquisita: você vai precisar de duas mulheres boazudas e um viado, nenhum dos três deve entender de matemática, senão não vão querer pagar mico e ganhar pouco. Aí esse pessoal sacode a bunda o dia inteiro, você ganha dinheiro e chama essa bosta de samba do Recôncavo, vulgo axé. É melhor do que assumir que vc ganha dinheiro, é feliz, mas sambar que é bom, porra nenhuma. Agora, duro mesmo é “Sampa”. Nem com toda riqueza de São Paulo que há alguns anos comprou o folguedo popular para a cidade, a coisa não decola. Tem estrutura? Tem. Tem Mulata? Tem bateria? Tem. Tem quem patrocine? Tem, tem até quem treine o carnaval de São Paulo, uma galera do Rio vai a peso de ouro e canta, explica e faz o diabo. Resultado: carnaval muchiba, alas vazias. E o nome das escolas de samba? X9 parece ingrediente de fórmula de sabão em pó - "agora com X9 ativo". Nenê da Vila Matilde é tudo, menos escola de samba e por aí vai. Como São Paulo é sucesso e lá se ganha muito dinheiro - a menos, é claro, se você vende vergalhão para obra do metrô - e aqui no Rio ganha-se pouco mas se diverte, podemos combinar: o carioca não trabalha, paulista não faz carnaval.
Robson Silva | Play the blues!(6)
05/02/2006 11:27 Um dia um pingüin °<

Ginga pingüin!
Foram além da última fronteira cinematográfica, há um documentário sobre pingüins. Declaro, logo de cara, que tenho uma simpatia especial pela ave, sim, pingüim é uma ave, embora pareça uma freira em tamanho miniatura.
Minha simpatia data da 1ª série primária, quando aprendi a ler silênciosamente, sem nem mexer os lábios, Sem querer acabei lendo silenciosamente, primeiro que toda turma, e tinha, no texto, algo sobre o pingüim e seu chapéu coco. Me lembro de ter estranhado, pois chapéu coco era o do Chaplin como minha mãe sempre falava, mas o pingüim não, o chapéu não ficava no alto da cabeça, ficava colado. Bem, não importa, o negócio do documentário é mostrar a marcha do pingüim, como o ping6uim é legal, como ele anda escorregando com a barriguinha, como namora, como bota ovo e como tem o filhote... para falar a verdade, o filme é um saco, você fica mais atento as reações humanas que ao filme. Primeiro porque documentário que se preze não precisa de narrador, as entrevistas e montagem bastam, segundo que pingüim não fala, pelo menos até o terceiro Blood Mary, mas no documentário, os bichos são pior que o Galvão Bueno, não pela barriga, mas pela tagarelice desenfreada. Os bichos "falam mais que a mulher da cobra", embora eu não saiba o que minha vizinha queria dizer com isso.
Os pingüins vivem em uma grande Tijuca branca, nada para fazer e cercados de morros e de predadores, ficam lá e marcham para por seus ovos em outro lugar, por quê? Bem, se você fosse uma ave, ficaria morando em uma grande Tijuca branca? Pois é, os pingüins ficaram. Não havia falado mas os pingüins são a minha Kriptonita, como posso manter minha frieza perante este bicho? Ainda bem que não entregam em domicílio, se não eu daria sempre gorjeta em dobro. É isso, vou entrar para a comunidade: Eu adoro pingüim, afinal temos algo em comum, cada um a seu modo mora na Tijuca.
Robson Silva | Play the blues!(13)
29/01/2006 14:50 Rio de com chuva
Rio de janeiro, 28 de janeiro de 2006
O Rio é uma capital sexy, principalmente no verão, sim porque verão no Rio é significado de chuvas e aí está toda a sexualidade da cidade. Choveu, fudeu. Isso, se chover a cidade acaba. O esquema é ir embora mais cedo, antes da chuva. Pena que umas 150 mil pessoas pensam a mesma coisa, tipo reflexo condicionado. Dá-se então o grande encontro a três: eu, a chuva e mais 149 mil, 998 pessoas presas no trânsito, passageiros da chuva e vítimas de seus meios de transporte. Aí, depois de correr de ladrão, fugir dos alagamentos ou inteligentemente esperar em algum bar, não necessariamente nessa ordem, chegamos em casa e vemos o Plantão Globo. Uma parente próxima está realizada, há anos prevê uma catástrofe com a chuva, fala em nome dos pobres, mas já expliquei para ela, com uma piada clássica, que pobre vive dizendo que não tem nada e quando vem a enchente, ele diz que perdeu tudo, fora os adágios populares que distorço, explicando que depois da tempestade sempre vem a epidemia. O Rio na chuva é igual a saldo vinculado, tem nome mas não serve de pôrra nenhuma. Há dois momentos de grande congregação, de união de nossa querida cidade, a chuva e o carnaval. Como saberia da existência de um bairro de nome Tororó, se não pelas vias do cataclisma? Como poderia saber que existe um shopping na Penha? A esta altura eu achava que a Penha fora interditada e junto com a Praça Saens Peña e Chernobyl, considerados locais inóspitos à vida e à reprodução humana. Aguardo ainda o carnaval, com chuvas e todo mundo dizendo que é de Padre Miguel. O cara grita assim: “Alô, meu povo de Padre Miguel, alô, meu são gonçalense”. Queria ver qual seria a reação numa sexta à noite, na praça de alimentação dentro do shopping. Pois é, tô em casa, vias de ir para o samba e a dúvida chega aos requintes da paranaísse: antes ou depois da chuva? Prefiro depois, se sobrar alguma coisa.
Robson Silva | Play the blues!(5)
26/02/2005 17:02 Depois do fim
Eu tb quero molinho
Uma delícia ver um novo ano iniciando... sim, porque o Brasil pára em novembro e só volta em março, e, como defendo essa teoria, tive a obrigação de honrar a minha tese.
Essa tese esbarra com uma outra: há algum tempo vi esta realidade brutal, a de um futuro politicamente totalitário. O mundo será unificado, a nação mais forte dominará definitivamente e acabará com o nosso jogo de possibilidades. Pelo desenho atual percebo a necessidade de voltar para o inglês e rever minha posição liberal, partindo agora para o ultra conservadorismo. Filmes? Só de guerra, onde algum país esteja precisando de liberdade, aí "alguém" invade com a "força-analfabeta" para libertar. Literatura, só romance onde a pessoa desvenda todos os mistérios da bíblia e viaja toda a Europa em quarenta e oito horas e no final, ao invés de trepar com a mocinha, dá somente um beijo e vê o pôr-do-sol. Valem também livrinhos de fotos piegas de filhotes e frases mais piegas ainda sobre o dia-a-dia. Exposições? Pintura clássica, grandes nomes da história, tipo Caxias. Indo hoje ao Paraguai, vemos o estrago de outrora. Como sempre, tudo em nome de Deus, só para ajudar.
No mundo totalitarista do futuro, os conservadores serão as Cicarellis e, nós, os Ronaldinhos. Assim, proponho uma nova geopolítica, pra ver se nesta nós saímos melhor.
Norte do EUA e metade da Ásia vão ficar com a indústria pesada, a outra metade, junto com o Japão, fica com a leve. Agricultura fica na América Central, Itália; no continente africano fica o extrativismo mineral e mais um pouco de agricultura. No restante da Europa, servidores com o conhecimento e história mundial.
Toda esta produção precisará de um local de demonstração. Assim, indico o Brasil para área de eventos. Vai ser fantástico. Nós vamos trabalhar somente em festas. Sabemos o que fazer. No Ano Novo são milhares na praia, todos de branco, não precisa combinar. Carnaval ninguém marca, mas, na hora, tá lá: bloco, bateria, carro de som e o que mais precisar. Pesquisa, inventos e desenvolvimentos, isso tudo não tem nada a ver, aqui o negócio é rosetar. Vamos nesta: no litoral os eventos e, no interior, dispersão. Não tem erro e, afinal, com essas praias, gente bonita e um paisão destes, é um absurdo trabalhar muito.
Robson Silva | Play the blues!(10)
19/12/2004 17:02 Um conto de Natal

Os contos aquecem o Natal
Chegou o fim do ano e a lembrança da chegada de nosso Salvador nos enche de alegria. Este é o grande marco das nossas existências, todos querem comemorar a vinda de mais um Natal e se emocionar com o gesto de um mártir que morre por nossas dívidas.
O décimo terceiro salário é nosso salvador. O décimo terceiro acaba com o saldo devedor e atualiza e resgata a dignidade de nossos cartões de crédito. Somente a menção de sua presença nos dá alento para novamente o sonhar em quitar a máquina de lavar e voltar a almejar o home-theater, este grande companheiro das tardes, onde o Faustão não terá mais seu espaço, onde os programas desportivos virão, incrédulos, o fim de seus dias e o surgimento de uma nova era, uma era onde o Homem-Aranha, Hulk, Buena_Vista Social Club e mais recentemente, a caixa da Marisa Monte e Kill Bill 1 terão seu som elevado, além do que pode uma TV estéreo. Sim, mesmo morrendo, o décimo terceiro é a promessa de um novo ano e uma nova fase de aquisições.
O Natal sempre é uma data de reflexão, conferimos a silhueta no reflexo das vitrines das lojas, recebemos um presente inesperado e acabamos tendo este gasto a mais para retribuir e ainda somos surpreendidos pelos amigos ocultos, essa brincadeira muito legal que merece um capítulo, ou um post especial, para descrever toda a emoção e alegria de participar de algo tão "criativo". Verdade seja dita, é chato brincar de amigo oculto.
E aí, pra variar, fui pagando as contas, indo ao mercado, paguei o condomínio porque dever condomínio deixa o síndico com perfil de galã, com aquela cara de que "há um segredo entre nós", ou seja, dever tudo, menos ao condomínio. Cada pagamento feito é um alívio e uma dor, vejo meu home-theater se afastar e o Faustão ficar cada vez mais forte, e foi aí que descobri que meu dinheiro acabou de novo, quer dizer, não acabou todo, sobrou um conto, um conto de Natal.
Robson Silva | Play the blues!(15)
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